O PRESÉPIO À LUZ DE BUGZ: um breve conto

Bugz viajava há muitos anos-luz pelo espaço intergaláctico.
Não tinha propriamente um objectivo: primeiro, fora feito prisioneiro por um grupo de mercadores vvvenyxianos, que pensavam vendê-lo como escravo; com grande dificuldade e alguns combates, rompendo-se todo, perdendo a cauda pelo caminho (que precisaria de muito tempo para tornar a crescer), tinha conseguido fugir, num pequeno planeta em que a nave parara para se abastecer; aceitara, depois, boleia de um grupo de komodorz, todas do sexo feminino, embora durante o tempo da viagem, com grande pena sua, não tivesse chegado a compreender a anatomia delas, nem o seu funcionamento sexual; as komodorz é que, fartas de tantas investidas, se tinham livrado dele, que, entretanto, tomou boleia de um velho humpfg, o qual, após uma vida preenchida, se dirigia para o próprio planeta natal, para morrer. Quando se separaram, Bugz decidiu jogar a recém-adquirida nave. Perdeu-a ao jogo, já na via láctea.
Esfomeado, sem alternativas, roubou uma schvaz-de-um-lugar, dourada e velocíssima, e prosseguiu a sua odisseia até um planeta azul, convidativo e sereno…

Nessa noite, dos céus, brilhando muito, como uma luz, como se fosse uma estrela (por efeito da schvaz-de-um-lugar que o transportava), Bugz assistiu a um estranho quadro de seres terrestres. Um quadro de luz e salvação.

Havia um ser maravilhoso, terno e doce, com um bafo cálido, deitado sobre uma meda de palha; tinha uma longa cauda e chifres, exactamente como as deliciosas fêmeas do seu próprio planeta; havia, a seu lado, o que, porventura, seria o seu macho, um ser de longas orelhas e dentes grandes.
Outros seres, fatigados, lentos, pareciam vir de longe, de muito longe (na perspectiva do planeta), para adorarem o casal: três criaturas amareladas, de bossas, chegavam carregando oferendas sobre o seu dorso; iam, percebia-se perfeitamente, oferecer-lhes aqueles animais ricamente vestidos, ornamentados e com coroas, que os montavam.
De outros lugares, aproximavam-se ainda outros maravilhosos seres, de quatro patinhas finas, vestindo de caracóis esbranquiçados. Também traziam, pela arreata, os seus presentes: uns animais monstruosos, só com duas pernas e dois braços, sem pêlos, a não ser no alto da cabeça e, alguns deles, com uma massa pilosa no queixo.
Aliás, no interior da gruta, dois seres dessa espécie, com duas pernas cada um, não mais, aqueciam o ser de chifres e o de longas orelhas.
Algures, sobre umas palhinhas, algo berrava. Era, com certeza, a música que se fazia naquele planeta.
Bugz sentia a alma inundada de paz.

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