UM POVO IMBECILIZADO E RESIGNADO…

Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta. (…)
(…) Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira a falsificação, da violência ao roubo, donde provem que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro. Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País.

A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.
Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar.

Este texto foi escrito por Guerra Junqueiro, em 1896. Está incluído no livro “Pátria”.

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Retalhos….

Quando me encontrei na estrada abri o porta-luvas e de lá tirei um maço de tabaco. Acendi um com toda a energia que ainda me restava. Desci a variante em direcção a Espinho a 190 km/h e no meu telemóvel, com as mãos a tremer, disquei o primeiro número que me apareceu, o da Isabel. ( Retalhos da vida de Uma mulher)

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NÓS, PORTUGUESES, PORQUE SOMOS ASSIM?

“Dizem mal de tudo com uma insinceridade genial. Os Portugueses são a gente mais insincera que há. Por isso são raramente grandes artistas.”

Agustina Bessa Luís

“O povo português é, essencialmente, cosmopolita. Nunca um verdadeiro português foi português: foi sempre tudo.”

Fernando Pessoa

“O costume português é deixar-se tudo em palavras mas palavras que são bolas de sabão deitadas ao ar para distrair pequeninos de seis anos.”

Florbela Espanca

“É espantosa a tendência do português para a promiscuidade! Chega a umas termas, senta-se, volta-se para o vizinho da direita e, sem dizer água-vai, conta-lhe a vida.”

“Em Portugal, as pessoas são imbecis ou por vocação, ou por coacção, ou por devoção.”

Miguel Torga

– “Eu gosto desta terra. Nós somos feios, pequenos, estúpidos, mas eu gosto disto.”

António Lobo Antunes

“O Português é indeciso e inquieto, como as nuvens em que as suas montanhas se continuam e as ondas em que as suas campinas se prolongam.”

Teixeira de Pascoaes

“Em todas as evoluções da arte, nós (portugueses) nunca aproveitamos com os princípios, e ficamos sempre com os maneirismos.”

– “Eu já decidi que – «forretice», para nós outros portugueses, é ainda a única virtude que podemos cultivar com proveito. O único meio de ser feliz é ser independente – e o único meio de ser independente é ser forreta.”

Eça de Queirós

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EM LOUVOR DAS CRIANÇAS

“Se há na terra um reino que nos seja familiar e ao mesmo tempo estranho, fechado nos seus limites e simultaneamente sem fronteiras, esse reino é o da infância. A esse país inocente, donde se é expulso sempre demasiado cedo, apenas se regressa em momentos privilegiados — a tais regressos se chama, às vezes, poesia. Essa espécie de terra mítica é habitada por seres de uma tão grande formosura que os anjos tiveram neles o seu modelo, e foi às crianças, como todos sabem pelos evangelhos, que foi prometido o Paraíso.
A sedução das crianças provém, antes de mais, da sua proximidade com os animais — a sua relação com o mundo não é a da utilidade, mas a do prazer. Elas não conhecem ainda os dois grandes inimigos da alma, que são, como disse Saint-Exupéry, o dinheiro e a vaidade. Estas frágeis criaturas, as únicas desde a origem destinadas à imortalidade, são também as mais vulneráveis — elas têm o peito aberto às maravilhas do mundo, mas estão sem defesa para a bestialidade humana que, apesar de tanta tecnologia de ponta, não diminui nem se extingue.
O sofrimento de uma criança é de uma ordem tão monstruosa que, frequentemente, é usado como argumento para a negação da bondade divina. Não, não há salvação para quem faça sofrer uma criança, que isto se grave indelevelmente nos vossos espíritos. O simples facto de consentirmos que milhões e milhões de crianças padeçam fome, e reguem com as suas lágrimas a terra onde terão ainda de lutar um dia pela justiça e pela liberdade, prova bem que não somos filhos de Deus.”

Este texto é de autoria do escritor Eugénio de Andrade, incluído no livro “Rosto Precário”

 

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Era uma vez uma Casa nas escolas

No dia 15 de Maio, estive em duas escolas de Vale de Santarém onde a miudagem tinha lido o meu livro para jovens de todas as idades ERA UMA VEZ UMA CASA.  

Convido-vos a ver algumas das fotos tiradas nas duas escolas: http://dulcerodrigues.multiply.com/photos/album/34/2012_05_15_PT_EB1JI_Vale_de_Santarem
http://dulcerodrigues.multiply.com/photos/album/35/35 

Foi super giro! Até houve um bolo com o título do livro e cantigas de roda cujas palavras foram adaptadas para a estória.

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Ecos da Feira do Livro de Lisboa

Embora com atraso, gostaria de agradecer a todos os amigos e conhecidos que me honraram com a sua presença na sessão de autógrafos do meu livro para jovens de todas as idades ERA UMA VEZ UMA CASA. Foi um momento alto da minha participação, pela primeira vez, na Feira do Livro de Lisboa, tanto mais que sei que alguns se deslocaram de propósito para partilhar comigo este momento.

Obrigada por este testemunho de amizade e espero que a leitura deste conto cheio de sensibilidade e de ternura vos proporcione agradáveis momentos de alegria e boa disposição.

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Curiosidades

“O  cheiro a maresia inundava a velha casa situada a cem metros da costa. Os raios de sol furavam as cortinas, ansiosos por atravessar o quarto com o seu brilho dourado. Teresa abria um olho de vez em quando, surpreendida pelos traços luminosos que iam aumentando de intensidade à medida que ela tentava manter-se na cama, à espera de mais uma hora antes de se decidir libertar dos lençois que a abraçavam…” ( Sandra Araújo)

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NOSTRADAMUS E AS SUAS PROFECIAS

Michel de Nostredame, mais conhecido por Nostradamus nasceu no dia   14 de Dezembro de 1503 em Saint-Remy-de Provence, no Sul de França.

Foi autor de um conjunto de 1.085 quadras e 4.680 versos, divididos por dez Centúrias, com cem quadras cada uma.  Até hoje conhecem-se entre 945 e 965 quadras.

Nostradamus utilizou vários métodos de adivinhação:

– O oráculo de Delfos.

– A água do oráculo de Didyma.

– O espírito sutil do fogo.

– A astrologia.

Diversos escritores publicaram livros sobre esta matéria: “As Centúrias de Nostradamus Comentadas” de Abner Macoto; “Nostradamusand his Prophecies” de Edgar Leoni; “The Nostradamus Enciclopedy” dePeter Lemesurier, “ Le Chiavi di Nostradamus” de Octtavio Cesare Ramotti, etc.

Apesar de alguma incredulidade, por parte de variados sectores da

comunidade científica e da sociedade em geral,  as previsões acertaram em

acontecimentos, tais como:

– Morte trágica, pormenorizada, do rei Henrique II de França;

– Nascimento de Hitler.

– 1ª e 2ª guerras mundiais.

– Existência de Napoleão, incluindo detalhes de natureza física.

– Fundação dos Estados Unidos da América.

– Assassinato de Kennedy.

– Armas nucleares.

– Queda da União Soviética.

Nostradamus previu a data da sua morte a 2 de Julho de 1566.

Acertou.

Ficará para reflexão de cada leitor, a aceitação ou não, da

infalibilidade das profecias  de Nostradamus.

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Vê o mar…

Vê o mar que chove
imagina montanhas nele
lá longe, bem longe dos olhares indiscretos
dois seres se abraçam
afasta as ondas, meu amor
repara bem
como se amam naquele feno macio
pedes-me um beijo
nessa tua boca calada
sem tu saberes, nem eu
já te o dava

José Guerra (2012)

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