Crónicas da Brilha: A propósito da quadra

 
Deste lado do rio, há mais de uma quinzena que se acendem as lareiras. O ar cheira a lenha e ao calor do lar, apesar do frio nos voar rente às orelhas e ameaçar gripes próprias da época.

Isso não nos impede de trazer ainda a lembrança da primeira vez que vimos flamingos no sapal e de recontar esta história como um marco nas nossas vidas, como um exemplo da descoberta de cada dia.

Cada estação se sucede à outra, naturalmente, com o seu ritmo ou ciclo próprio.

Com a aproximação do Natal e a típica casa cheia, ainda não temos sofá, mas a mesa é incansável e farta para família e amigos. Trocam-se garrafas de vinho, oferecem-se presentes e na roda dos tachos vamos aprendendo a noção de família e reaprendemos a rir.

Descobrimos também a nossa primeira árvore de Natal e a luz que nos deixou embriagados, de pijama, à uma da manhã, a auxiliar o mais novo a colocar a estrela no topo onde ainda não chega.

Este ano, apesar da crise, não faltam prendas e até o Pai Natal voltou a escrever cartas aos mais novos, grato por ainda haver quem acredita.

Não falta também o carinho dos amigos, a presença da família de perto e de longe e a sensação serena de que, como as estações, também a vida segue o seu ritmo.

Lembro-me muitas vezes de um professor que tive – no tempo em que algumas matérias tinham outros nomes, que ainda existiam, ou viviam mais de quem as lecionava – que me disse um dia que com dinheiro podia comprar uma casa mas não um lar. Tenho aprendido a profundidade do que ele me disse, há mais de vinte anos atrás, a cada dia que passa e este ano tem sido disso um exemplo. Por entre as dificuldades que todos vivemos, ninguém espera que se faça uma escolha entre o trabalho e a família e este é o momento certo para o recordarmos.

Quanto aos amigos, a sua presença tem-nos trazido alegria e apoio em momentos importantes, permitiu-nos crescer e aprender a cada passo e a oportunidade de novas experiências e desafios, e a família, na sua comunhão, tem relembrado o calor daquele estábulo, onde também faltava um sofá, mas havia amor, entreajuda e harmonia.

Ana Brilha
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