LEO TOLSTOY

TOLSTOI

Tolstoy nasceu em Yasnaya Polyana, Rússia. (1828-1910)

Foi um dos grandes mestres da literatura do século XIX, um pintor dos costumes e da alma russas.

Apesar de descender de uma família de príncipes, Tolstoy foi uma dessas raras pessoas que, em vez de querer afastar-se do povo impulsionado por uma ambição superior, desceu voluntariamente até ele.

Amigo de Rousseau e inspirado na sua filosofia, escreveu o primeiro romance intitulado “Um Proprietário Russo”.

Abriu uma escola para os camponeses na sua terra natal. Não quis ser o mestre, mas sim um condiscípulo. A escola foi fechada pela polícia, que sugeriu a Tolstoy deixar os camponeses na ignorância.

As suas obras-primas são: “Guerra e Paz” e “Ana Karenina”.

Em “Guerra e Paz”, publicado em 1865, Tolstoy narra uma história vivida no contexto da invasão Napoleónica da Rússia; em “Ana Karenina”, analisa a luta íntima do individuo. Cria uma das personagens femininas mais fascinantes da literatura.

Idealista e místico, procurou reencontrar a caridade do cristianismo primitivo. Tornou-se, aos 80 anos, um pacifista, desejando viver junto à natureza, distante das igrejas e dos governos.

Excertos do livro “Ana Karenina”:

“Depois de atravessar a pequena sala de jantar, com as suas paredes de madeira escura, Stepane Arkadievitch e Levine entraram numa saleta tenuemente alumiada por um candeeiro de quebra-luz escuro. Outro candeeiro na parede iluminava um retrato de mulher, em corpo inteiro, de opulentos ombros, cabelos negros ondulados, sorriso pensativo e olhar perturbante, em que Levine pousou involuntariamente os olhos. Era o retrato de Ana pintado em Itália por Mikailov. Enquanto Oblonski se dirigia para o outro lado do biombo, onde a voz de homem que ali ressoava deixara de se ouvir, Levine examinou o retrato que avultava na sua moldura sob a chapa de luz. Não podia apartar dele a vista. Esqueceu até mesmo onde estava, e sem prestar a menor atenção ao que se dizia quedou-se de olhos fascinados. Não era um quadro. Era uma mulher viva e encantadora que o fitava com uns olhos de uma suave e fascinadora expressão. Só não estava viva, por ser mais bela do que a mais bela mulher real.

– Tenho muito prazer — disse, de súbito, uma voz junto aos ouvidos de Levine.

Essa voz dirigia-se a ele, naturalmente; e era a voz da mulher cujo retrato contemplava. Ana vinha ao seu encontro e Levine pôde ver, na meia-luz do escritório, a mulher do retrato, com um vestido escuro de tons azuis um pouco diferentes. Embora a sua atitude e a sua expressão fossem outras, a beleza era do mesmo género da representada pelo pintor. Com efeito, era menos deslumbrante, mas, em compensação, havia nela algo de novo e de atraente que o quadro não tinha. (…)

(…) Os ciúmes enchiam Ana de indignação, e ela, aliás, não fazia outra coisa senão procurar motivos para se indignar. Culpava Vronski de tudo o que havia de penoso na sua situação. Responsabilizava-o da atormentadora expectativa em que vivia em Moscovo, entre o céu e a terra, do atraso e da indecisão de Alexei Alexandrovitch e da sua própria solidão. Se Vronski a amasse, compreenderia a sua angustiosa vicissitude e faria todo o possível por ajudá-la a libertar-se. Era ele o culpado de que ela vivesse ali, pois não estava disposto a enterrar-se na aldeia como Ana desejava. Precisava de viver na sociedade, colocando-a numa posição horrível, fazendo-a passar por humilhações que não queria compreender. (…)

(…) E a vela à luz da qual Ana lera o livro da Vida, com todos os seus tormentos, todas as suas traições e todas as suas dores, resplandeceu, de súbito, com uma claridade maior do que nunca, alumiando as páginas que até então haviam estado na sombra. Depois crepitou, estremeceu e apagou-se para sempre.”

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Sobre José Eduardo Taveira

Nasci no Porto. Trabalhei em diversas empresas nacionais e multinacionais, exercendo cargos directivos. Actualmente estou liberto de compromissos profissionais, usufruindo a liberdade de viver como gosto e quero. Publiquei três livros intitulados: "Juntos para Sempre","Histórias de Pessoas que Decidi Divulgar" e "Viagem ao Princípio da Vida". Os dois primeiros em Portugal e o último no Brasil.
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