O que é o Povo?

O que é o Povo?

RECORDO O NOSSO GENIAL E SAUDOSO MÁRIO VIEGAS E O SEU MANIFESTO ANTI-CAVACO; ELE, E ZECA AFONSO, COM AS SUAS EXCELENTES CANÇÕES DE PROTESTO, FORAM EXPOENTES DA NOSSA LUTA PELA LIBERDADE.

QUE ESTEJAM EM DESCANSO E, SE LÁ DO ALTO NOS VÊM, QUE, POR FAVOR, NOS GUARDEM NESTA TÃO DIFICIL HORA!

 

O que é o Povo, pergunto, e a resposta, sendo transversal no raciocínio de toda e qualquer pessoa de bem, envereda por muitas formas de expressão, segundo a sensibilidade de cada inquirido; o Povo, para mim, é a seiva da árvore, (no meu imaginário um gigantesco e sólido carvalho), que morre, se a sangramos até ao limite.

O Povo é tudo, sem limites, tudo. É quem produz a riqueza, que alimenta a Pátria no seu todo; é quem pensa os métodos mais apropriados para gerar essa riqueza, os empresários, é quem pensa e cria Arte e Ciência, quem gera o bom e o mau. Agredir o Povo, ignorá-lo, maltratá-lo, despreza-lo, empobrece-lo, é desfazer e voltar as costas à Pátria, vende-la. Não pode existir Pátria sem Povo. São indissociáveis. E, se o Povo tudo gera, então o Povo é a principal e única riqueza de que a Pátria dispõe. E o Povo, meus amigos, o Povo são pessoas, nada mais e nada menos: PESSOAS. Não podem, não devem, ignorar as PESSOAS, porque, isso sim, é gerar ódios que são vendavais de revolta. Os extremos das várias formas de Ideais políticos que por aí pululam, saem do imaginário das pessoas individuais ou colectivas (os grupos), e exactamente por isso, podem possuir maior ou menor margem de erro, individual e colectivo; mas as pessoas, enquanto Povo, enquanto todo, são unas e indivisíveis; os grupos não. Os grupos podem, num dado momento, adoecer, e então são cancros sociais que se devem estripar, pois é desses cancros que se geram as tiranias, as ditaduras, os enviados de um deus superior, o Grande Pastor que leva as ovelhitas ao Calvário.

Na verdade, a força do Povo tem a dimensão do infinito. O Povo, quando se manifesta, é uma força avassaladora que amedronta os tiranos, os ditadores, a hipocrisia daqueles que, em seu nome, se apoderam do puder e por nada o querem largar; o Povo, a custo zero, coloca numa manifestação uma orquestra composta pelos melhores músicos, um coro divinal de vozes inesquecíveis, escultores, pintores, actores, escritores que, embora sem editores que os avaliem, existem, e estão prontos a servir a sociedade; ao dispor do Todo social, e nunca da parte, temos cientistas e investigadores. Por favor, pelo bem de todos, não cuspam no Povo, porque, e enquanto parte do Todo, estão a cuspir em vós próprios.

E o Povo que saiu à rua, que se manifestou frente ao palácio de Belém, ficou pasmado, quando o feriram com a ostentação e a utilização dada à riqueza que gerou com o seu labor árduo. Carros de luxo de alta cilindrada pagos com o dinheiro de todos, do colectivo, conduzidos por motoristas pagos pelo todo, num desfile monstruoso, a ferir a dignidade e a sensibilidade da gente séria que hoje passa fome e não tem futuro; a juventude que o geniozinho bafiento, encafuado no seu palácio de cristal, fechado no seu país das maravilhas, ignora, ou ocasionalmente contempla, com um esgar que quer ser um sorriso, mas a quem nunca estende uma mão amiga. É vergonhoso. Uma cosmética feita por inconscientes que fere a sensibilidade de quem quer trabalhar e não sabe onde.

A mendicidade intelectual que defende a tenebrosa teia gerada no seio paupérrimo dos partidos, (chamados da área da governação), reuniu-se, qual majestosa montanha. Teve o seu orgasmo de sapiência. Aconteceu a gravidez e, no final, apenas pariu um…rato! Nobres Conselheiros: julgo que, desta vez, o Povo não se dispõe a pagar a conta da maternidade. CHEGA!

Digo à juventude do meu País que, (compreendendo a vossa justa revolta e o ódio que se agiganta dentro de vós), a forma como o libertais nos actos tresloucados de violência contra a policia, são a exacta maneira que satisfaz esta gente; justifica a repressão e o aparato bélico policial crescente. São as manifestações, por princípio, o exclusivo local apropriado para dar vazão à revolta? Não. A revolta deve subordinar-se sempre à inteligência. A inteligência origina a organização que, por sua vez, produz os métodos. A inteligência, a organização, e os métodos, são a única arma dos pobres.

E finalmente lembro, a quem manda que, em Democracia, o contrato estabelecido entre os reformados e o Estado, tem o mesmo valor que o contrato estabelecido entre o Estado e as Parcerias Publicas Privadas. Ambos os contratos devem merecer do Estado tratamento de igualdade; o contrário, significa ROUBO. Mais, no caso dos reformados, (em particular, porque é sobre eles que é exercido roubo), o não cumprimento do contrato significa a maior afronta aos direitos humanos que ocorre num País que se diz civilizado. Particularmente digo que não tenho a menos simpatia por LADRÕES!

José Solá

 

 

 

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Sobre jsola02

quando me disseram que tinha de escrever uma apresentação, logo falar sobre mim, a coisa ficou feia. Falar sobre mim para dizer o quê? Que gosto de escrever, (dá-me paz, fico mais gente), que escrever é como respirar, comer ou dormir, é sinal que estou vivo e desperto? Mas a quem pode interessar saber coisas sobre um ilustre desconhecido? Qual é o interesse de conhecer uma vida igual a tantas outras, de um individuo, filho de uma família paupérrima, que nasceu para escrever, que aos catorze anos procurou um editor, que depois, muito mais tarde, publicou contos nos jornais diários da capital, entrevistas e pequenos artigos, que passou por todo o tipo de trabalho, como operário, como chefe de departamento técnico, e que, reformado, para continuar útil e activo, aos setenta anos recomeçou a escrever como se exercesse uma nova profissão. Parece-me que é pouco relevante. Mas, como escrever é exercer uma profissão tão útil como qualquer outra, desde que seja exercida com a honestidade de se dizer aquilo que se pensa, (penso que não há trabalhos superiores ou trabalhos inferiores, todos contribuem para o progresso e o bem estar do mundo), vou aceitar o desafio de me expor. Ficarei feliz se conseguir contribuir para que as pessoas pensem mais; ficarei feliz se me disserem o que pensam do que escrevo… José Solá
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