Então, e agora?

Então, e agora?

O governo do senhor Passos Coelho justifica a miséria a que nos condenou com a baixa das taxas de juro que se tem verificado nos empréstimos externos. É como se a economia fosse uma religião suprema à qual tudo e todos vale a pena sacrificar. As crianças passam fome para a economia prosperar? Sim! É um desígnio divino. Os velhos ficam sem uma parte importante dos seus proventos, quando estão no ocaso da vida e já não se podem defender, porquê? Porque a Pátria assim o exige! É como a sábia regra do Estado Novo, quando os fanáticos do sistema gritavam em coro: “Quem manda? Salazar! Salazar! Salazar! Quem pode, manda, e obedece quem deve!

Não sou doutor, nada percebo de finanças ou economia. Fui um técnico bem sucedido que, no exercício da sua profissão, teve êxito. Fui um escritor que se encolheu, em dado momento da vida, com medo de represálias pela parte do sistema, digo, feudal, que nos castrou enquanto Povo? Sim! O que hoje sou? Talvez um escritor que retorna à vida, num momento extremamente difícil da nossa Democracia. Encontro a Pátria de alguns, (os mesmos de sempre), que faz negaças à Pátria que a maioria não tem; os que dantes sacrificaram a vida para manter as loucuras do sistema, hoje são os mesmos que esmolam o direito à vida e ao bom nome como pessoas de bem; os que antes impunham a sua mediocridade à maioria, são os mesmos que hoje impõem as regras do jogo. Na verdade nada mudou. Somos os mesmos de sempre, ao longo dos séculos.

Mas, basta de lamúrias; se num dado momento nos convenceram ao abandono de uma moeda adaptada e calculada para a nossa realidade produtiva, e hoje dispomos de uma moeda mais de duzentas vezes superior à nossa actual capacidade, (que me parece inferior à que antes tivemos), e se a coesão da Europa, enquanto máquina produtiva com a maior pujança que alguma vez o mundo viu, se envergonha no fracasso e se desfaz, qual o caminho? Não me cabe a resposta, nem sou habilitado com os conhecimentos necessários para tal; mas perece-me que alguém, (pela primeira vez nas suas vidas os mesmos de sempre), tem a obrigação de responder! Não é suicídio a continuação na zona Euro? E como nos podemos desligar deste sistema? Arrisco dizer que, (e sempre), pela via do costume, a da miséria, da fome, não a da fominha secular que sempre nos consumiu), mas sim a fome plena, a grande fome, a que termina nas valas comuns dos cemitérios, e só aí, onde os esperançosos de sempre, enfim, podem pela primeira vez na vida sorrir e descansar, onde a tuberculose mais uma vez e de novo é vencida por falta de alimento vivo para os bacilos, a paz plena sossega os espíritos dos que descansam na terra os ossos que sustentaram corpos que nunca viveram.

O que eu faria se tivesse que decidir? Simples: Mantinha a minha dignidade como homem e respeitava a dignidade do Povo a que pertenço; o que isto quer dizer? Resume-se a viver do que somos capazes de produzir! Arrancar as flores e o relvado dos nossos jardins e parques e plantar alimentos. Regressar à actividade da pesca e expulsar os estrangeiros das nossas águas. Isto, e o regresso ao seio da cultura que pelo mundo espalhámos. Não estamos sós. Uma parte substancial do mundo sabe que existimos e que o sangue dos nossos avós lhes corre nas veias.

Quando, em Setembro de 2011 tirei da gaveta do fundo o romance Ganância, o revi e o publiquei, aterei para o pequeno mundo português o que previ. A venda do País a retalho, a desorientação, o sabor da derrota, a vergonha, a não imortalidade de ser Português; a gente pequena que obedece, e a ainda menor que manda. Que, eternamente, manda!

Os juros dos empréstimos externos baixam? Não, meus amigos. Como não temos produção, o que esta gente prepara é a nova divida que nos vai mergulhar em mais crise daqui a alguns anos. Crise, e crise atrás de crise, que, tudo indica, irá durar até ao consumir dos séculos; travar a miséria passa por terminar com as Parcerias Publico Privadas, com as fundações que se verifique inúteis, com os carros de luxo, com os assessores, com os excessos de uma Assembleia da triste Republica, (a mais moderna do mundo), e, acima de tudo o mais, acabar com esta gente medíocre que cresce como cogumelos nessas juventudes partidárias que em tudo se assemelham ao fanatismo hitleriano ou aos ideais fascistas! Travar a crise é perder de vez a soberba e a sobraçaria dos que se julgam superiores, e assumir a postura da humildade e da simplicidade dos seres humanos que, na verdade, são gente moral e civicamente superiores.

Escutei parte da entrevista do secretário-geral do partido socialista. Às tantas senti vómitos; desliguei o televisor.  A insensatez de um homem que se pretende agora arvorar de paladino salvador, mas que, na verdade, é sim parte activa do problema! Que Deus de poderes supremos nos pode valer, estripando do seio da sociedade estes parasitas aldrabões que nos banham com a sua verborreia, a sua vergonhosa banha da cobra?

O Conselho de Estado vai reunir, o espectáculo da triste comédia da política que não nos serve vai continuar; a cosmética embeleza as faces dos mesmos de sempre. O Fazedor de Sonhos Líricos, depois de escutar os seus (ao que dizem, quinhentos assessores), vai, enfim, dizer de sua justiça.

Compatriotas, só nós somos os donos do nosso destino colectivo! A Pátria é NOSSA! Não somos mais basbaques sentados no chão, qual rebanho enfraquecido pela fome, que se contenta em escutar a melodia enganosa do Mau Pastor! Somos MULHERES E HOMENS que queremos viver, que temos o direito à felicidade e que exigimos de volta o nosso bem mais precioso, a Pátria!

Trinta e cinco anos desta gente a governar destruiu-nos o país; venderam-nos, inclusive, o idioma, pisaram-nos com as suas botas ferradas, gostaram, e querem continuar. BASTA!

Ponderem. Permanecer na zona euro significa caminhar para a escravatura e a miséria impostas pela Alemanha de sempre; a mesma que, por duas vezes, gentilmente ofertou o mundo com centenas de milhões de mortos servidos em bandeja de ouro, com uma cereja de ódio no topo. Regressar ao escudo, significa tomar de volta a nossa independência, mas ficar a pagar uma divida de dimensão incomensurável, cujo montante desconhecemos. De todas as maneiras o que nos espera é dor, miséria e fome, sangue, suor e lágrimas, uma noite tenebrosa sem fim à vista!

Mas, a quem cabe decidir o caminho é ao Povo, e nunca aos três partidos do governo e da corrupção, o PS, o PSD, e o CDS-PP! Ponderem, compatriotas, e façam a mais difícil escolha das nossas vidas!

José Solá

 

 

 

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Sobre jsola02

quando me disseram que tinha de escrever uma apresentação, logo falar sobre mim, a coisa ficou feia. Falar sobre mim para dizer o quê? Que gosto de escrever, (dá-me paz, fico mais gente), que escrever é como respirar, comer ou dormir, é sinal que estou vivo e desperto? Mas a quem pode interessar saber coisas sobre um ilustre desconhecido? Qual é o interesse de conhecer uma vida igual a tantas outras, de um individuo, filho de uma família paupérrima, que nasceu para escrever, que aos catorze anos procurou um editor, que depois, muito mais tarde, publicou contos nos jornais diários da capital, entrevistas e pequenos artigos, que passou por todo o tipo de trabalho, como operário, como chefe de departamento técnico, e que, reformado, para continuar útil e activo, aos setenta anos recomeçou a escrever como se exercesse uma nova profissão. Parece-me que é pouco relevante. Mas, como escrever é exercer uma profissão tão útil como qualquer outra, desde que seja exercida com a honestidade de se dizer aquilo que se pensa, (penso que não há trabalhos superiores ou trabalhos inferiores, todos contribuem para o progresso e o bem estar do mundo), vou aceitar o desafio de me expor. Ficarei feliz se conseguir contribuir para que as pessoas pensem mais; ficarei feliz se me disserem o que pensam do que escrevo… José Solá
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