Euro, Grécia, Bancos e …etc.

Euro, Grécia, Bancos e …etc.

EURO

Quando ocasionalmente penso no euro, (enquanto moeda única), sabem o que sempre me vem à ideia? Um barco de borracha, ou de forte material plástico, desses de brincar na água, em lagos, rios de águas calmas e sem corrente, ou por vezes, em dias de imensa calmaria, em praias.

Um barco enorme, tremendamente grande, desses antigos. Um barco não compartimentado no seu interior, (como sucede com os barcos mais modernos), mas sim um senhor barco, de aparência seguro, imponente, mas, na verdade, tremendamente inseguro.

Um barco que, se o furam, inexoravelmente afunda, com lentidão, é certo, consequente do seu tamanho, mas, afunda, arrastando consigo todos quantos transporte, (ratos inclusive), e se calha a afundar em águas altas e distante das margens, os ratos, empoleirados em tudo quanto flutue, salvam-se, os humanos que saibam nadar e tenham bom folgo, com persistência e vontade, conseguem alcançar as margens, mas quem não souber nadar e não tenha quem o ajude, simplesmente, morre.

E o barco um dia furou e afundou, à vista da praia, num dia quente de sol intenso, quando a modorra acobarda os corpos, com receio do frio da água; nas espreguiçadeiras estão bons nadadores, gente experiente, destemida, capaz de tudo, mas, de estômago cheio, evitam molhar-se com receio das indigestões.

Os ratos, empoleirados nas merendas, lá seguem, rio afora, na direcção das ilhotas que se avistam mais adiante, junto à curva do rio; os humanos que não sabem nadar, ou que se cansam, esbracejam e desaparecem da superfície. Os outros, se alcançarem a praia, talvez que alguém lhes atire uma bóia, talvez, porque, nesta vida, o que mais temos garantido é que não existem certezas para nada…

GRÉCIA

Irra que os Povos são tremendamente teimosos, pobres e mal agradecidos.

Vejam, ponham os olhos nos gregos, notem a leviandade como jogam porta fora o futuro, como são ingratos, tolos e inconscientes, irresponsáveis, gente que não merece a simples água que bebe; valdevinos que não merecem ajuda!

Tanto que os seus partidos sérios, (que correspondem ao nosso partido socialista e ao nosso partido social democrata), fizeram por aquele povo, tantos sacrifícios e lágrimas que verteram, tantas e tantas noites sem pregar olho na cama, e é assim, com indiferença e leviandade, irresponsabilidade e sem sentido algum de patriotismo, que os jogam fora como se de lixo se trate!

É certo que aconteceram diferenças de opinião entre governados e governantes; sabem, esta coisa da política é tudo menos uma ciência exacta, mas nas famílias sempre acontecem discussões, entre marido e mulher, entre pais e filhos, por vezes com os avós e os primos à mistura. É a vida.

E, quem dá o pão dá a educação, (coisa de hábitos antigos, de tradições), e educar um Povo não é bem a mesma coisa do que educar um puto. Exige mão firme, um pouco de músculo, o rigor da decisão que advêm da clarividência e da sensatez de quem manda.

Isso pode originar alguns desacatos. Umas cacetadas, muitos impropérios, umas fogueiritas, umas bombitas de gás, o trivial, isso, nada mais do que o aborrecido e monótono trivial; e foi assim que tudo aconteceu: Suicídios, figuras históricas que se demarcaram do rumo certo sem grandes explicações; o dia-a-dia de uma Pátria, com os seus costumeiros altos e baixos.

Suicidas existem, infelizmente, em todos os países da terra, e figuras preponderantes que não percebem a bondade das práticas correctas da governança também, tal como diz o nosso ilustre primeiro-ministro, (mais palavra menos palavra); alias, palavras as levam o vento. Todos quantos em tempos leram Sartre e matutaram sobre os seus escritos, sabem que, esta coisa das palavras, dão para todos os lados. O que conta são sim as acções.

Os gregos nunca compreenderam as acções dos governantes que elegeram por sufrágio directo, nunca perceberam a justiça das cargas policiais, nem a redução das pensões, nem o congelamento dos salários, nem o desemprego, nem a triste e degradante fome, nem a humilhação interna e externa, nem o peso da mão amiga da grande Alemanha e da França, nem a solidariedade de toda a restante zona euro; os gregos são um povo ingrato que apenas percebe de paródias e de folias. Os gregos não são portugueses e os portugueses não são gregos, apenas e só têm uma aparência semelhante, que os aproxima dos seres humanos!

Os portugueses sim, compreendem as benfeitorias dos seus governantes, os sopapos da sua educadora polícia, o desemprego, a fome, a miséria, o sacrossanto sacrifício que lhes abrilhanta o futuro. Os portugueses sim, têm futuro. Na verdade, os portugueses, são menos gregos do que os gregos…

BANCOS

Extraído da vida real.

Um casal de jovens apaixonados decide dar o nó. Com o auxílio das famílias compram casa com o crédito que conseguem no banco; na altura têm um rendimento que ronda os mil e quatrocentos euros livres de descontos, e a prestação mensal são quatrocentos euros por mês.

A vida corre entre contas e rigor nas despesas. Os anos passam. O casal, por razões de lucidez, evita ter filhos, ainda que os pais os pressionem nesse sentido.

Aos poucos, mas com o rigor das máquinas da melhor relojoaria, a prestação ao banco vai subindo até que atinge oitocentos euros mensais; os jovens aceitam um apoio económico mais constante e regular por parte dos pais…

Quando teoricamente chega a crise, (digo teoricamente porque a crise sempre fez o favor de existir), ambos perdem os empregos e, perante as juras de amor eterno, consequentes da idade e do direito que lhes assiste de se amarem, decidem entregar a casa ao banco e voltar para casa dos pais. O banco reavalia a casa e, feitas muitas contas, (sim, que estas coisas são muito sérias), atribui uma desvalorização de vinte por cento ao valor actual do andar; ficam, pois, com a responsabilidade de pagar esse montante, sempre de acordo com as regras do banco.

Acresce dizer que, em consequência da facilidade de crédito, os empreiteiros subiram os valores de venda das habitações, e o jovem casal adquiriu o andar inflacionado em cerca de sessenta por cento do valor anterior às facilidades de crédito.

Acresce dizer que, os sucessivos governos, saídos das eleições, logo, os governos legítimos do País, consentiram e até apoiaram, toda a máquina empresarial privada e, incluso, a conduziram pela mão da lei ao pedestal das parcerias públicas privadas, garantindo-lhes em permanência os montantes de negócio previamente acordados…

Que futuro o destes jovens, sem emprego, com uma divida ao banco, e sem casa? Pela palavra de apoio que nos chega de cima, dos governantes, (e como ambos são licenciados), o futuro está para lá das fronteiras, na imensidão de um mundo que os aguarda, perante a continuada incapacidade lusa, (tão antiga de séculos que já se transformou em tradição), em, com inteligência, bom senso, e uma ampla dose de honestidade, respeitar e dignificar as pessoas que, por ironia do acaso do destino, ou por maldição de um ignoto e obscuro deus cruel, tiveram a infelicidade de nascer neste País…

ETC  

SAÚDE

Os nossos asmáticos crónicos, (eu incluído), estão de parabéns e não o sabem. É que vão morrer cedo, o que, afinal, dadas as circunstâncias destes tempos, não será assim tão dramático.

Medicamentos como o Symbicorte e o seu substituto, o ACM, bem como o Spiriva, estão esgotados no mercado, e as farmácias não fazem qualquer ideia quando os stoks voltam a ser repostos.

No caso dos adultos já reformados, não deixa de ser uma maneira simples e eficaz de o governo reduzir as despesas. O pior é as crianças; mas, pensando bem, ao preço a que estão as fraldas, acaba por ser uma melhoria na economia familiar; isto, claro está, se o governo não cortar os subsídios de funeral…

JUSTIÇA

Para quando a aplicação das penas de prisão para os condenados pelos crimes de pedofilia, no caso das crianças da Casa Pia? Ou as sentenças em julgado vão, finalmente, ser revogadas?

É que, passado tanto tempo, a mencionada instituição, e outras congéneres, já renovaram os stoks…

José Solá

 

  

 

Anúncios

Sobre jsola02

quando me disseram que tinha de escrever uma apresentação, logo falar sobre mim, a coisa ficou feia. Falar sobre mim para dizer o quê? Que gosto de escrever, (dá-me paz, fico mais gente), que escrever é como respirar, comer ou dormir, é sinal que estou vivo e desperto? Mas a quem pode interessar saber coisas sobre um ilustre desconhecido? Qual é o interesse de conhecer uma vida igual a tantas outras, de um individuo, filho de uma família paupérrima, que nasceu para escrever, que aos catorze anos procurou um editor, que depois, muito mais tarde, publicou contos nos jornais diários da capital, entrevistas e pequenos artigos, que passou por todo o tipo de trabalho, como operário, como chefe de departamento técnico, e que, reformado, para continuar útil e activo, aos setenta anos recomeçou a escrever como se exercesse uma nova profissão. Parece-me que é pouco relevante. Mas, como escrever é exercer uma profissão tão útil como qualquer outra, desde que seja exercida com a honestidade de se dizer aquilo que se pensa, (penso que não há trabalhos superiores ou trabalhos inferiores, todos contribuem para o progresso e o bem estar do mundo), vou aceitar o desafio de me expor. Ficarei feliz se conseguir contribuir para que as pessoas pensem mais; ficarei feliz se me disserem o que pensam do que escrevo… José Solá
Esta entrada foi publicada em Sem categoria. ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s