OS GRANDES DESIGNIOS QUE ALDRABAM OS POVOS

Isto, nesta coisa que é a politica moderna, é como no ilusionismo. De tempos a tempos torna-se indispensável renovar os truques, o que está certo, porque tudo tem os seus limites.
É imperioso que os povos tenham os seus objectivos para alcançar. Os povos não podem pura e simplesmente ser pequenos, modestos, sossegados, tranquilos, amigos do seu amigo, simplesmente morenos e franzinos, apenas senhores de uma paz de espírito feita de uma certa pequinês. Não. Os políticos não deixam. É porque não tem “pica” alguma. Que “sainete” dá governar povos assim? Nenhum! Um politico que se preze só consegue acordar maldisposto! Os povos têm que ser grandes, majestosos, fortes, grandiosos, importantes em qualquer coisa, mesmo que inventada ao borralho da lareira nas longas noites do Inverno. Já alguém viu um símbolo nacional representado não por uma estátua equestre, com um cavaleiro garboso cheio de espadas e de penachos, mas sim por um velho e anquilosado corcunda, vergado ao peso da marreca, de nariz adunco e com cara de fome?
É incrível! Os disparates que este homem volta e meia escreve! Dizem vocês. Mas isso é porque, para além da História Pátria que ao longo dos séculos vai sendo da conveniência dos vencedores contar-lhes, não são capazes de ler mais nada! Pois, meus amigos. Não acreditem piamente em tudo o que lhes dizem. Há Pátrias que foram feitas mais por baixos do que por altos. Outras existem que são como os discos. Só têm duas faces. Quando uma acaba volta-se o disco porque se admite que a música desse lado foi esquecida.
É assim que, (ainda o Estado Social não saiu e fechou a porta) e já o outro mito vem entrando, sorridente, transportando a sua mala das fantasias. De quem falamos? Do Mar Português, como é evidente! Esse Mar de sal e lágrimas, de facto rico e nobre, tão soberbo, tão tranquilo, mas também tão violento quando se exalta.
O que mais me comove no Mar Português é a profunda tristeza que transparece nos olhos dos peixes. Andam cabisbaixos, caidinhos de todo. Até parece que não são altivos e magnânimos como o são os portugueses humanos.
Investiguei o porquê dessa tristeza e penso que descobri o “busílis” da questão.
Ora cheguem-se para cá, que estas coisas não se podem dizer alto! Não vão as gentes indiscretas descobrir que eu tenho conversas destas! Cruzes canhoto! Essas pessoas de bem são piores do que “o deus te livre!” Por favor, batam três vezes com os nós dos dedos num tampo de madeira, de preferência de uma mesa redonda com pés de galo! Os nossos peixes descobriram que andam a urinar-lhes na água! Isso, xixi feito à descarada, sem o mínimo recato. São os barcos, os petroleiros estrangeiros, que aproveitam as nossas águas para lavar os tanques. Vejam só o descaramento dos desavergonhados!
E quando todo o cavername está sem vestígios da pegajosa nafta, limpo e brilhante, a tripulação reúne-se na amurada, abre a braguilha, alivia-se, e depois, conforme as velhas tradições das marinhas de todo o mundo, enfileirados e perfilados, erguem ao céu as barretinas e gritam: “Mar Português! Hurra! Mar Português! Hurra! Três vezes, como manda as regras do mar. Por isso os nossos peixes sentem tanta tristeza e vergonha que já começam nas andanças da imigração!
E nós, que não lhes podemos valer, nem um gesto de solidariedade, nem um conforto, um amem de amigo, umas sandes para o caminho, nada! Por falta efectiva de estaleiros produtivos e dinâmicos, mau grado os esforços dos nossos eficientes e competentes gestores, só uns barquitos a remos, guarnecidos pelos poucos e velhos polícias marítimos, já perto da reforma, vão por aí a fora, mar a dentro, sempre que as embarcações estão guarnecidas pelos respectivos remos; e, coitados, por muito que se esforcem chegam sempre tarde!
Que pena que sinto dos nossos peixes, de os ver partir assim, desta maneira tão triste…

Sobre jsola02

quando me disseram que tinha de escrever uma apresentação, logo falar sobre mim, a coisa ficou feia. Falar sobre mim para dizer o quê? Que gosto de escrever, (dá-me paz, fico mais gente), que escrever é como respirar, comer ou dormir, é sinal que estou vivo e desperto? Mas a quem pode interessar saber coisas sobre um ilustre desconhecido? Qual é o interesse de conhecer uma vida igual a tantas outras, de um individuo, filho de uma família paupérrima, que nasceu para escrever, que aos catorze anos procurou um editor, que depois, muito mais tarde, publicou contos nos jornais diários da capital, entrevistas e pequenos artigos, que passou por todo o tipo de trabalho, como operário, como chefe de departamento técnico, e que, reformado, para continuar útil e activo, aos setenta anos recomeçou a escrever como se exercesse uma nova profissão. Parece-me que é pouco relevante. Mas, como escrever é exercer uma profissão tão útil como qualquer outra, desde que seja exercida com a honestidade de se dizer aquilo que se pensa, (penso que não há trabalhos superiores ou trabalhos inferiores, todos contribuem para o progresso e o bem estar do mundo), vou aceitar o desafio de me expor. Ficarei feliz se conseguir contribuir para que as pessoas pensem mais; ficarei feliz se me disserem o que pensam do que escrevo… José Solá
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