EXTRAIDO DO TEXTO DO ROMANCE GANÂNCIA

Na feira do livro, tenda dos pequenos editores

O turismo veio de maré cheia a arrastar consigo uma vida incomportável nos custos, que se foi infiltrando de norte a sul, cidade a cidade, vila a vila, aldeia a aldeia, praia a praia, e as pessoas na verdade habituaram-se sim a passar de largo, a ver a felicidade de brilho posto nos rostos dos de fora. O povo do país de Tal passou a ser de gente que já nem quer ser feliz, apenas pede que a deixem viver. E para viver vale tudo, sem regras, sem princípios, sem morais. O povo afunda-se no lamaçal do “Sim senhor” dito pelos seus governantes a tudo o que lhes mandam fazer os governos de fora. O país deixou de ser uma terra específica, com realidades inerentes ao seu jeito de ser, às suas particularidades, aos hábitos característicos do seu modo de vida. A independência esfuma-se com as dívidas que sobem, e é exactamente quando os juros da dívida externa se aconchegam na multiplicação sem limites, que um presumível salvador arregimenta no seu cérebro conceitos e princípios que diz servirem na perfeição para a solução de todos os males, todas as maleitas que minam por dentro a vida da sociedade que se desmorona. E se, de país, passássemos a uma confederação de sítios ligados por uma língua comum? Como assim, perguntam os angustiados políticos honestos que restam, (poucos, contam-se pelos dedos de uma mão), o povo acomodado pelas ruas, os muito poucos industriais honestos que já não aguentam pagar mais impostos, (tão poucos que temos de percorrer as ruas de candeia acesa em pleno dia para os descobrir). É simples, – diz o mais recente salvador da pátria, – auto-dividimo-nos em talhões e vendemo-nos aos países de quem somos devedores. Desta maneira saldamos a cem por cento o nosso monstruoso défice, e o que sobra, (sim, porque um país – maravilha como o nosso vale bom dinheiro), vai permitir que continuemos este nosso viver. Então e depois? Perguntam os políticos, o povo, os poucos industriais, todos os que restam de gente séria. Depois?! Bom, deixem-me pensar, dêem-me tempo! Não sou uma máquina de produzir ideias brilhantes! Sou uma simples e modesta pessoa que se considera esperta! E o nosso homem das ideias pensou, pensou, e depois de passado algum tempo, disse: Depois temos duas soluções que me parecem bastante viáveis! Ou nos continuamos a subdividir, – o que me parece o mais conveniente, – ou imigramos e por essa forma voltamos a dar novos mundos ao mundo. De qualquer modo o que mais interessa é que a nossa raça continue, e isso está largamente assegurado, desde que continuemos a dispor de gente com ideias, assim como eu. Os políticos honestos, o povo, os poucos industriais bons, olharam uns para os outros, franziram as testas e começaram a pensar, até que um importante politico, (um homem ligado às finanças e ao governo, não dos de quem acima se falou), disse, como se apenas para si falasse: bom, na verdade tem de se começar por algum lado, e porque não esse? E para implementarmos essa ideia o que é preciso fazer? Quis saber o povo. O nosso politico pensou novamente e disse: Primeiro é preciso votar para aprovar a ideia, (não nos podemos esquecer que somos uma democracia), depois, bem, depois, o governo em vigor deve de propor que alguém se responsabilize em formar uma comissão que irá elaborar os estudos necessários para tornar exequível a divisão do país em talhões! Outra comissão? Interpelaram-se as gentes do povo em surdina. Então, – diziam uns, – eles lá sabem, não foram eles que estudaram? Não são eles que têm os livros? Só nos faltava agora, depois de tanto termos descontado para a educação, que fossemos nós, os iletrados, os burros, a termos de tomar uma decisão…

De diz que não diz e torna a dizer, foi o dia passando, entre as modorras malandras do sol quente do país de Tal, refinado de cheiros de maresias ou de pólen de flores, ou de encharcados bafos de pinhal a descerem das terras altas. Veio a noite. Todos foram para casa, (todos quer dizer, todos os que ainda tinham casa), confortados com a ideia passada pelo ministro que aquela comissão ia a cumprir com todos os objectivos que lhe fossem mandados fazer…

Veio a manhã do dia seguinte, uma manhã de névoas profundas como se finalmente o dom Sebastião acabasse de desembarcar nas praias da quimera, uma manhã às avessas do dia anterior, solarengo que fora, quente de sobra para satisfazer os corpos, para permitir uma noite descansada a todos quantos dormem na rua. Se el rei dom Sebastião havia desembarcado ou não, ninguém sabia. Por um lado porque a madrugada ainda era uma menina de olhos fechados ligada ao cordão umbilical da mãe terra, por outro, o povo não vive de coisas concretas, vive de subterfúgios, de um viver de faz de conta, de pensar um dia de cada vez, o que virá depois se verá. E se o dom Sebastião chegou, bom, ele que venha por bem se trouxer dinheiro vivo; haverá alegria nas praças, o povo vai cantar e rir, o governo vai dar um profundo suspiro de alívio porque se quebrou o enguiço, finalmente alguém que chegou com dinheiro!

Com o avançar da madrugada, que de nevoenta e gélida se foi tornando mais amiga, um rasgos feitos lá por cima, entre as nuvens, como se um amigo tivesse soprado um sopro quente das alturas, umas nesgas de azul mostraram uns medrosos fios aloirados a largar luz; para quem sonhou com o regresso do rei, ao erguer-se da cama e espreitar às vidraças embaciadas da janela, não foi preciso pôr um pé na rua para saber que o jovem monarca não tinha chegado. Ele nunca vem quando a visibilidade é, pelo menos razoável, para não dizer boa; então, se o rei dom Sebastião não chegou com uma saca cheia de moedas de oiro, roubado aos sarracenos infiéis, o país não está a salvo das injustiças feitas pelos outros, os de fora. Estamos na mesma, como ontem, no dia anterior, nos anos passados, nos muitos séculos que já se foram. Pobres de nós, gente simples do povo, ou rufias do polvo em que o poder se tornou. (Também que condição aquela, de só chegar numa manhã de denso nevoeiro…)

NÃO SENDO ADIVINHO…

Sobre este pequeno texto do romance Ganância (livro pouco divulgado e menos lido, porque as pessoas gostam de se sentirem importantes e nunca por nunca se espreitam no espelho da alma), temos uma visão nada poética sobre o nosso futuro.

Os talhões em que nos dividimos para facilitar a auto-venda não são, – como é evidente, – os quintais ou as hortas de um qualquer senhor António com gosto esmerado pela agricultura, são antes pedaços desta Pátria velha de séculos, construídos com esforço e engenho. São a TAP, os Estaleiros Navais de Viana do Castelo, a EDP, as Águas de Portugal, a Carris, o Metropolitano, a Transtejo, a CP, e tudo o mais que os “calhordas” a quem damos o nome de políticos e de Governo entendam que vale a pena vender porque lhes traz lucro. Portugal é apenas uma modesta feira da Ladra propriedade de gente sem escrúpulos, medíocres, e tudo nos diz que também desonestos. A verdade é que todos estes talhões já dispõem de compradores. É isto a grande Europa, terra de civilização e de cultura. Mas, – pergunto, – será que a Europa tem a obrigação de respeitar e auxiliar um País que vendeu ao desbarato todos os seus meios de produção? Pessoalmente, digo:”É evidente que não!”. Antes vendemos mulheres e homens para construírem a terra dos outros, e com o envio de divisas externas permitirem a continuidade da ditadura, hoje vendemos pedaços do chão que nos devia ser Sagrado, gotas do nosso sangue, lágrimas do esforço que tantos fizeram para levantar do chão esta Terra. E também vendemos mulheres e homens, os nossos filhos, hoje preparados e instruídos o necessário para fazer um País melhor e, finalmente, moderno e justo!

Quem somos, afinal? Um Povo que deu ao Mundo os tais mundos novos, gente que foi grande mas hoje se encolheu, ou gente que, – ao longo dos séculos, – acreditou em histórias da “carochinha”? Talvez nem uma coisa nem outra. Somos um punhado de milhões que sofre de preguiça mental, e se assim é, teremos o direito de ter uma Nacionalidade, uma Pátria, um Chão? Aqui fica esta pergunta para nos fazer pensar!

Os outros povos sabem o que querem. Vejam se eles demonstram interesse numa possível compra do arquipélago da Madeira? Só um louco teria interesse nessa parcela do nosso, (ainda) território nacional.

Ontem cheguei do sul, mais exactamente de Monte Gordo. Sabem que o comércio local é, na sua quase totalidade, propriedade de indianos e de chineses? E os produtos que vendem? São fabricados na China e na Índia! Isto, para um País de desempregados, com um Chefe de Estado que fala em credibilidade perdida no estrangeiro, é de rir até às lágrimas!

Aos setenta e um anos de idade tenho vergonha, muita vergonha, da minha Nacionalidade, da língua em que me exprimo e do povo a que pertenço.

José Solá

3 comentários

PARABÉNS, FERNANDO NAMORA !

Fernando Namora nasceu em Condeixa-a-Nova no dia 15 de Abril de 1919 e viveu até 31 de Janeiro de 1989.

Foi médico e escritor. Publicou uma extensa obra traduzida em várias línguas. Pertenceu ao grupo literário “Geração de 40”, no qual participavam os escritores Mário Dionísio, Joaquim Namorado, Carlos de Oliveira, João José Cochofel, entre outros.

Como médico, exerceu na sua terra natal, no Alentejo e na Beira Baixa. Foi assistente no Instituto de Oncologia, em Lisboa.

Como escritor iniciou-se em 1933 com a publicação de um livro de poemas intitulado “Relevos”.

Fernando Namora é dos escritores portugueses mais conhecido no Brasil. Publicou através das editoras Globo e Nórdica, em Porto Alegre e Rio de Janeiro, respectivamente.

Em 1941, ainda estudava, fez parte do projecto do Novo Cancioneiro, uma colecção poética de 10 volumes, cujo primeiro livro foi “Terra”, de inspiração neo-realista.

Além da poesia, Fernando Namora publicou romances, biografias romanceadas, narrativas de viagem, com destaque para os cadernos de um escritor, contos, novelas, memórias.

Colaborou em diversa revistas, tais como “Sol Nascente”, “Revista de Portugal”, “Vida Mundial Ilustrada”, “Ver e crer”, “Diabo”, “Mundo Literário”, “Seara Nova”, “Eva”, “Presença”, “Vértice”, etc.

Foi sócio do Instituto de História da Medicina. Foi eleito membro honorário da Universidade do Alasca, da Hispanic Society of America, de Nova Iorque, e do Instituto Médico de Sófia.

Pertenceu à Instituição de Fernando, o Católico, de Saragoça, ao Instituto de Coimbra, à Associação Brasileira de Escritores Médicos, à Academia das Ciências de Lisboa, à Academia Brasileira de Letras. Foi também eleito membro da Academia Europeia das Ciências Artes e Letras.

Da sua vasta obra destacam-se, aleatoriamente, os livros: “As Sete Partidas do Mundo”, “Fogo na Noite Escura”, “Os Clandestinos”, “Resposta a Matilde”, “As Minas de S. Francisco”, “A Noite e a Madrugada”, “O Homem Disfarçado”, “Mar de Sargaços”, “Marketing”, “ Cidade Solitária” e diversas memórias, crónicas e ensaios. A sua criação poética foi reunida na antologia “As Frias Madrugadas”.

As obras “Retalhos da Vida de um Médico”,“ O Trigo e o Joio” e “Domingo à Tarde”, foram adaptadas para o cinema.

Em 1981 a Academia das Ciências de Lisboa e o PEN Club propuseram a candidatura de Fernando Namora para o Prémio Nobel da Literatura.

Em Condeixa existe a Casa Museu Fernando Namora, inaugurada em 30 de Junho de 1990 por iniciativa de um grupo de amigos.

Fernando Namora foi um homem de grande sensibilidade poética.

Nesta singela homenagem no dia do seu nascimento, um excerto do romance “Retalhos da Vida de um Médico” e o poema “Intimidade” do livro “Mar de Sargaços”:

“Com vinte e quatro anos medrosos e um diploma de médico, tinha começado a minha vida em Monsanto. (…)

(…) Os camponeses vinham ao consultório fechados em meias palavras, avaliando dos meus dotes de mágico, e nas suas faces obstinadas havia apenas desconfiança e desafio.

(…) Há dias em que a melancolia chove dentro de nós como num pátio interior, atapetado de jornais velhos. Não se ouve, não se sente – mas rebrilha na sujidade densa. Eu estava num desses dias quando afastei a cortina e olhei pela janela a tarde que se ofuscara de repente, com pressa de se evadir da atmosfera enfastiada e, sobretudo, de um cenário sem alegria…”.

(…) Mas em fechando a cortina tudo isso desaparecia: eis-me de novo isolado no gabinete fofo, de paredes que, a partir de certo momento, me davam a sensação irrespirável de uma espessura acolchoada onde tudo ficava retido: a fadiga, o silêncio… (…)

    Intimidade

Que ninguém hoje me diga nada.
Que ninguém venha abrir a minha mágoa,
esta dor sem nome
que eu desconheço donde vem
e o que me diz.
É mágoa.
Talvez seja um começo de amor.
Talvez, de novo, a dor e a euforia de ter vindo ao
mundo.
Pode ser tudo isso, ou nada disso.
Mas não o afirmo. As palavras viriam revelar-me tudo.
E eu prefiro esta angústia de não saber de quê.

 

Deixe um comentário

Margarida e os Ensinamentos Sábios da sua Filha Joana – Em Breve na Feira do Livro

http://www.sitiodolivro.pt/pt/livro/margarida-e-os-ensinamentos-sabios-da-sua-filha-joana/9789899737549

Imagina duas pessoas que se dão muito mal, que se detestam e que fazem a vida negra uma à outra. Quando chegar o tempo limite para cada… uma delas viver na Terra, ambas irão em seu tempo para o Céu. Elas Regressarão a Casa… visto terem sido Anjos, mas todas as Emoções Negativas, assim como também as Positivas que elas tiveram enquanto viveram na Terra ficam gravadas nas células, como se fosse um cofre bem guardadinho.
– Ficam guardadas? Xiiiii… estranho isso, mas ao mesmo tempo engraçado…
– Ah, pois é, Minha Querida!

Rita Lacerda

 

Deixe um comentário
 
 
 
Ontem foi o tão aguardado dia! O dia do lançamento do mais recente livro de poesia de Ana Brilha, “A Apologia do Silêncio”. O relógio marcava 18h30 e lá estava eu numa sala apinhada de gente, onde a boa energia e os sorrisos espontâneos tornavam o ambiente mágico. 
 
Foi um momento dividido por pequenos grandes momentos que se revelaram num todo poético. Desde a participação de Lilia Tavares e de Carlos Campos (poeta), que através das suas vozes deram vida a poemas como “Tinta Preta” e “A Caixa Castanha”, até ás sonoridades de “Danúbio Azul” e “Pedra Filosofal”, tão delicadamente tocadas por Leonor Gonçalves, que arrancaram do publico uma ovação de pé.
 
Quando as pessoas certas se cruzam e unem sinergias, o resultado é admirável. As palavras da Ana, embelezadas pela imagem de capa, da autoria da Unidade Artística da Fundação AFID Diferença só poderia culminar num evento como o de ontem. Parabéns à AFID pela forma como nos recebe em sua casa! 
 
Há tardes assim… poéticas, inclusivas, emocionantes e inesquecíveis!
 
 

“A Caixa Castanha”


Hoje de manhã, ao sair de casa,
Deparei-me com uma caixa
Junto ao degrau da entrada.
De chave ainda na mão,
Suspensa de estupefacção,
Fitei a caixa,
Uma caixa qualquer,
Que alguém deixara
No degrau da minha entrada.

Olhei em volta, em busca de suspeitos,
A chave expectante na mão direita,
Mas quer de um lado
Quer do outro
Nada bulia na rua deserta.

Olhei novamente,
Ainda era uma caixa,
Banal e castanha como são as caixas.
Desci o degrau,
Olhei mais de perto,
Mudei a chave suspensa de mão.
E então (e só então) abri a caixa.

Lá dentro,
Silencioso e quieto,
Deixaras-me o teu coração.

 
Ana Brilha
 
 
Foto de Helena Matos
 
 
Publicado em por Intermitências da escrita | Deixe um comentário

Sessão de autógrafos do autor do “AoSol’ÉqueSeEstáBem…” Pedro Nunes, o B)’iL [o Bólice]

O Bólice, Pedro Nunes [ o B)iL  ] autor do “AoSol’ÉqueSeEstáBem…” estará presente no dia 6.5.2012, das 16h às 17h, à semelhança das edições anteriores, dentro do “Espaço dos Pequenos Editores”, na Feira do Livro de Lisboa, para uma sessão de autógrafos.

O autor d’a gregântica pena da agnóstico’anárquica espiritualidade, reserva a obra em todos os seus direitos… porque nos esquerdos também…

Image

Introdução à obra

Caros Amigos, distintos membros de imprensa, senhoras e senhores.

Passar a mensagem é com certeza o que se quer, quando se escreve, e, principalmente quando se publica.

O Bólice descobriu este prazer há uns poucos de anos e só agora com esta idade, é que se atreveu a publicar o que pensa, sob a forma de manifesto em prosa e poesia e deu-lhe o nome de prosa pó’Ética.

É uma forma artística, um termo em figura de estilo artístico. A arte é manifesto, a arte é mensagem.

O Bólice

Sou profundo, pois sou. Eu sou isto e aquilo, aquele e aqueloutro. Mudo com a lua, sei lá. Não sei ser de outra maneira! Posso ser o que quiser. Sou pedra de sal, mar d’água. Madeira da árvore e folhas. Os galhos são a minha família. As raízes nem sei de onde vêm mas também por agora pouco interessa. As folhas essas, algumas, que são poucas e que nunca chegam a cair. Como as da oliveira. Folhas duras de pequenas que são. A quem eu já peguei fogo e fiquei arrependido. Mas que secaram como da madeira ao carvão e ficaram marcadas para sempre, escritas pelo seu próprio carvão. Com história. Com a vida escrita na sua arborescência. Sou livre de o ser e também vergo com essa idade. E vergo, pois, porque o ar também tem o seu peso. Mas um peso que fica leve com a vontade. O vento é o peso da vontade. E com vontade de ser, eu sou assim. Lucidez de luz intermitente, compassada e determinada. Sou o vento e dou-o de vento em popa. Tal qual copa da árvore lá no alto, redonda de imperfeições e que abana. Estou aqui e vou aqui, porque caminhando vou ali. Se não me dirigir àquela porta na atitude de a abrir, ela certamente não se abrirá sozinha. Se olho no espelho da vida assim bem vejo. Quando não gosto é porque não estou a ver bem. E por mais que tente lá chegar, a distância tem sempre outra metade da distância percorrida a percorrer. Há sempre mais a outra metade da distância a percorrer. E depois? Continuo. Continuo a percorrer o afastamento do ponto de partida, do espaço da existência, convicto que irei chegar ao destino. Esse é definitivamente infinito, sabendo perfeitamente que nunca se chega ao seu fim. Porque afinal o que gosto mesmo é de percorrer a textura do intervalo. Esse momento, que guardo com carinho e paixão. Paixão que vivo intensamente. E choro. Choro de alegria ao ver que cada passo que dou é mais um metro de conquista.

A conquista do comprimento que tem o amor. Aquele amor que nunca me deixa triste. Aquele amor que nunca me envergonha. Só me enaltece mais ainda. Sim, porque amo com verdade aquilo que ando a fazer. Vocês não? Não amam o que fazem? E porque não hão-de amar? Porque não hão-de também querer que a vossa vontade seja igual à minha? Ou até maior! Basta querer para ser aquilo que se quer ser ou ser o que se é. Pois então que o sejam, meus amigos. Muito obrigado por serem quem são. São vocês que me ajudam a ser assim. Bem hajam, mais uma vez, que não me cansa. Porque resistir é vencer. “Assim seja” 

 

Cabelos Brancos

Cabelos brancos são sabedoria

Preserva-los, é personalidade

Vitalidade só tem harmonia

Quando amamos a nossa idade

Aprender a amar, nunca é tarde

Se amas, eu amo, é a verdade

Sentimento deste coração arde

Reconhece essa necessidade

Se há, duas coisas bem diferentes

Uma delas é ser velho e estragado

Outra, ser antigo mas preservado

Ambos são conceitos e são parentes

Ignorância mantém o defeito

Sabedoria merece, respeito

A Arte na Literatura

A literatura é uma forma de arte e neste meu caso particular, se são muitos ou poucos os que a vão ler, ou se é má ou boa a mensagem, isso já vai além do que eu ou alguém possa julgar, ou achar que o seja. O fazer, o publicar, já são atitudes que se devem ter. Pelo menos, não nos arrependemos de o não ter feito, devendo-se para isso ter o cuidado e consciência no conteúdo e no propósito dessa mensagem. Partilhar é o principal propósito da mensagem.

Das palavras às acções, podem-se ter infinitas distâncias, ou até nenhumas. E como é que isto se compreende? Se por ventura o que escrevo o não faço, no mínimo é como o velho ditado do médico que diz ao paciente, faz o que eu te digo, mas não faças o que eu faço.

Há sempre nisto um lenga-lenga medonha e chata, mas não é por isso que se deva desistir em tentar transmitir positivamente por palavras os nossos sentimentos. É nelas que existe a eterna mensagem. Resumindo, sugiro que se tenha em conta que quando se aponta o dedo a alguém, esse dedo é virado para nós.

“Já dizia o velho ditado dos nossos avós. A culpa é sempre dos outros e os outros somos nós.”

Esta é uma verdade em que acredito. Mas toda a verdade depende do seu espaço – temporal. A memória ou seja a história guia-nos e dir-nos-á o caminho. E uma coisa é certa, a verdade, ela existe mesmo para além da nossa compreensão, o que faz dela um valor incalculável. Mas o que é verdade afinal?!

 

Abrilada

Abril de Otelo, grande parada

Rumam fileiras na grande jornada

Benditos capitães, tropas em cacho

Maia renite apagar o facho

Querida liberdade alcançada

Demite papões temendo já nada

Cravam cano, travam tiro unido

Bradam povo jamais será vencido

Logo à pátria eles submetem

Meio cavaco aponta fuzil

Encarcera companheiros d’Abril

Grande estratega todos subvertem

Acusado, apagado, é triste

Verdade não dizem, ela existe

A Verdade

O sua antítese, o “falso”, também é uma verdade. Por isso tudo leva a crer que apenas a verdade é um facto consumado e o que é falso será sempre forjado doutra verdade. A prova está em que, as coisas são como são e nunca como nós as vemos ou muito menos como as queremos ver. Pois cada qual a vê na sua medida e perspectiva.

Para isso é necessário conhecimento. Para se ter conhecimento é preciso ter uma boa e acompanhada educação para uma boa formação de carácter individual. A educação é um conceito a que eu dou muita importância. Sendo eu o humano mais pequenino na terra, sinto-me um privilegiado em poder exercer esta minha vontade de pensar e comunicar, da melhor forma que sinto e sei, tentando assim dar o meu melhor.

É dando que se mostra o que se vale. Eu nem estou aqui para vos dar nada, mas sim, para vos vender um livro. Por isso neste tipo de sistema em que vivemos valho muito pouco e quem dá o melhor que tem a mais não é obrigado.

Somos todos iguais nas nossas diferenças e isso é difícil de aceitar. E assim se atribui o valor às coisas, aos conceitos e aos sentimentos.

A natureza segue uma ordem anárquica e tende sempre a equilibrar-se. Essa ordem é justa e daqui ninguém sairá vivo.

Por isso será uma ordem de ideias justa, o que aqui estou a dizer?

Romain Rolland, Francês Novelista, Biógrafo, Compositor e Musicólogo dizia:

 

“Quando a ordem é injusta, a desordem é já um princípio de justiça.”

…  a isto chamo simplicidade e pureza …

por isso, não te deixes corromper

porque viver não custa

custa é… saber ver viver

mantenho esta minha busca

mesmo que seja uma dureza

porque… resistir é já, vencer …

Sou um agnóstico’anarco-panteísta, por isso reservo todos os meus direitos … e os esquerdos também …

Direitos reservados… e os esquerdos também

Liberdade sim, mas porquê saudade ?

quanto mais gosto de ti, é de mim

que mais sinto nesta minha vontade

de criar cá de dentro esse fim

P’los teus e p’los meus, estou na vanguarda

preparado p›ra saltar esse muro

da vida, espiral manifestada

liberdade, afincado futuro

Não sei crer, mas anseio derradeiro

que este mundo mesmo desordeiro

tem-se na forma de ser sempre certo

Eu me reservo nos direitos, canhoto

nos esquerdos, tenho o mesmo afouto

de ter essa liberdade por perto.

Pedro Nunes o Bólice  [ B)’iL ]

É sobre estes princípios, de que se trata esta minha pequeníssima obra.

Nada dela poderá mudar os malefícios do mundo, mas pelo menos tenta ajudar a melhorá-lo.

Só quero aqui deixar mais uma ideia… uma verdade minha …

Uma grande verdade … um pensamento contundente …

… o mundo é nosso e ninguém nos deu … nós é que o, usurpamos …

ABRÇs e BJÑs                                                                                                                                             do  B)’iL

1 Comentário
 
 
  
Para quem não pode estar presente na sessão de lançamento de “A apologia do silêncio”, o livro já está disponível para encomenda através do site do sítio do livro (http://www.sitiodolivro.pt/pt/livro/a-apologia-do-silencio/9789899718821/).
Basta registarem-se no site, fazer a encomenda e seleccionar o modo de pagamento, recebendo-o na morada que indicarem.
 
Boas leituras!
 
Publicado em por Intermitências da escrita | Deixe um comentário

Sessão de autógrafos de José Solá na Feira o Livro

Dia 12 de Maio de 2012, na feira do livro no parque Eduardo Sétimo, das 17 às 18 horas, sessão de autógrafos na tenda dos pequenos editores.

Deixe um comentário
Publicado em por Intermitências da escrita | Deixe um comentário

Estou aqui Orlando Nesperal

Certamente que me esqueci de escrever, talvez pelo acordo ortográfico, muitas vezes já nem sei se o que escrevo está certo ou errado, estarei em plena transformação do que aprendi, ter que agora esquecer, ou talvez ter que recordar as palmadas que levei por erros que agora não o são. A tudo isto é um marasmo de impaciência dentro de mim, em que me faz recordar Fernando Pessoa: Se isto não é verdade; “Serei eu o próprio erro”.

De vez enquanto venho até aqui, ver o que de novo, os “Homens da Escrita” caseira tem vindo a escrever e sobre o que, mas hoje não resisti à tentação de esvaziar este meu coração e levar o meu pensamento para outras viagens, num  deserto onde o Sol devia iluminar o meu espírito, mas infelizmente, está mergulhado na escuridão, dum  momento espero eu de ser rápido e instantâneo.

Orlando Nesperal

Deixe um comentário

PREMONIÇÃO OU COINCIDÊNCIA ?

 

 

 

Em 1898, o escritor americano Morgan Robertson escreveu o livro intitulado “ Futility, or the Wreck of the Titan”.

A história baseava-se na tragédia de um transatlântico que se afundava na sua primeira viagem. Interessante realçar alguns detalhes fundamentais:

– O navio chamava-se “Titan.

– O nome do seu capitão era Smith.

– O mês do naufrágio foi Abril.

– O local do afundamento foi no Atlântico Norte.

– A causa do acidente foi o embate em um iceberg.

– O número de passageiros e tripulantes: cerca de 3.000

O “Titanic” começou a ser construído em 1909.

Robertson publicou o livro em 1898: 14 anos antes do acidente.

A descrição dos elementos acima referidos, além de outros de carácter técnico, é comum aos navios “Titan (ficção) e “Titanic (real).

Premonição ou coincidência?

José Eduardo Taveira

3 comentários