Um novo poema: «Vida…»

A título excepcional – pois que de há muito abandonámos a escrita poética regular -, aqui publicamos este poema de nossa lavra, recentemente composto e sob distinto estilo daqueloutro que, em tempos, houvéramos adoptado.

 

VIDA…

 

Morro, tal-qual o dia

Se fina ao sol-poente.

Vida…

Nigérrimos vultos entoam

A melodia…

Funérea, hirta, solene,

Pesadamente pungente…

Vida…

É um adeus ao vale de lágrimas,

É saudação em alvoroço…

A quê?

Vida…

É adeus à vida, sim, e as lágrimas

Não são de tristeza, não,

Serão de alegria…

Alegria em alvoroço, sim…

Vida…

Prédicas, rezas, latinórios,

Voz pesada do cura pachorrento,

Bocejos, esperas, impaciências…

Não é morte que surge, mas

Vida…

Vida que segue.

Deixá-lo descansar, coitado…

Que da vida vai ele bem cansado…

Para quê tanto frenesi?

Deixem-no!

Deixem-me!

Ó vida!

Ó vida, que te não vejo!

Vem a morte, vem,

E só se diz

Vida…

Vida nova que a morte traz.

Descansa, pobre criança,

No regaço que ora se te oferece,

Dos padecimentos pode já

Ter a esmola que merece

Toda a frustrada esperança!

Vida…

Corpo em terra, já sepulto,

Tudo acaba, tudo começa…

É o fim? É o princípio?

Vida…

Vida segue, vida acaba,

Seguem esperanças, findam amarguras…

E o fardo é tão pesado, tão pesado…

— Dorme bem, filho querido!

 

Diogo Figueiredo P. D. Ferreira

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