Assinalando o Dia Mundial da Poesia – republicação de um nosso tríptico poético

Com o fito de assinalarmos, a nosso jeito, esta data tão simbólica que vem a ser o Dia Mundial da Poesia – dessa tão lídima expressão do sentir humano, daquilo que mais fundamente perpassa pela nossa alma, sempre tão rica de multímodas sensações -, pedimos vénia para republicarmos – pois que, de resto, já tais composições foram aqui exibidas de outras vezes – um tríptico poético de nossa autoria. Foram das últimas poesias que o nosso estro lírico deu à epifania, e a todas três, posto que cinzeladas em alturas diferentes, subjazeu um mesmo propósito, um idêntico sentimento, profundo e querido, que nos é sempre grato recordar. Donde o impelir-nos o desejo da sua reexibição aos prezados leitores – muito mais, pois, por razões sentimentais, emotivas, do que, propriamente, pelo quilate formal ou estilístico do que infra poderá ler-se. Acresce, tão-só, frisar que vão estes três poemas expostos pela exacta ordem cronológica da sua feitura, do mais antigo – o primaz – para o mais recente.

 

ÚLTIMO POEMA

 

Porque se obnubila teu rosto
Dessa imensurável tristeza?
Pressinto-o: foi desgosto,
Foi mal de amor, de certeza!

 

Ah, meu Deus, que mágoa sinto
Ao vislumbrar semblante tão magoado!
Sofrimento assim atroz, não consinto
Que vá amargurar esse ser delicado!

 

Sonhava eu, querida menina,
Furtar-te a essa amarga solidão;
Ah, pudera dar-te a alegria da bonina
Que encanta dos campos a vastidão!

 

À minh’alma confesso, muito em segredo:
Quem me dera que me ela chamasse!
Teria fim meu pungente degredo
Na feliz hora em que me ela amasse!

 

(19/12/2014)

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SURGISTE, BENEVOLAMENTE…

 

 

Surgiste, benevolamente,
prenunciando as venturas mais doces!
Eras estrela, eras sonho,
eras penhor de porvir risonho,
que se me desvelou sublimemente!

 

 

Até ao mais descrente consegue
Restituir uma remota fé perdida
A revelação que lhe exibe
O sentido último e a verdade da vida,
A feliz realidade da quimera que se persegue!

 

 

Mas esta vida não consente
– Ai de quem assim se engana! –
Tais alcandores de alegria fulgente
Ao pobre que dessa conquista se ufana!

 

 

Pois que tudo é efémero e tristemente fugaz,
E a ansiada imagem da fortuna,
Assim como surgira tão oportuna,
Em menos de nada se desfaz!

 

 

Partiste – quanto lamento! – para não mais voltar,
Logo após eu descobrir-te;
Desse cais longínquo fico a carpir-te,
Com tua imagem na lembrança,
em desvairo,
a sorrir-te…
Até ao dia último de o meu sofrer se acabar!

 

(12/7/2015)

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CÁLIDA FLOR

 

Cálida flor

No tempo agreste

S’esfolha em dor

Ao vento este!

 

Linda bonina,

Supina emoção,

És flor-menina

Em meu coração!

 

Porque andam teus olhos,

Morena ditosa,

Pálidos de solidão?

 

Olvida do devir os abrolhos

Dessa existência saudosa

Qu’assim te tolda a razão!

 

Abre-te ao sol que nasce,

Qu’é do dia novo resplendor,

Em doce afecto cresce

Na sempiternidade do meu amor!

 

(23/12/2015)

 

Diogo Figueiredo P. D. Ferreira

 

 

 

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