Um novo poema: «Toada de amargura»

Posto que tendo já abandonado a actividade poética com carácter de regularidade – como, de resto, repetidamente temos dito -, não nos furtamos a, muito raramente, ir fazendo revivescer alguns cantos da nossa pobre lira. Eis o último deles, recentemente cinzelado:

 

«TOADA DE AMARGURA»

Lôbrego caminho da triste vida,
Juncado d’heras de sombrio vulto;
Porque se há-de sofrer tão amarga investida
Desse áspero sentir, ‘inda insepulto?

As razões, não no-las desvela o Criador,
Ele, que aos destinos da gente assim preside;
Resta a incerteza, a amargura, a dor,
A opressora mágoa que no triste peito reside.

Porém, há-de ser assim o devir,
Tão-só de nigérrima paleta esboçado?
Creio, por minha fé, que o porvir,
Em se querendo ridente, bem custa a ser alcançado.

Diz a alma ao coração, caridosa:
«Repara, que também soalheiros são os alvores,
E essa sorte, que se te faz inditosa,
Prestes há-de evolar-se nos mais faustos alcandores!».

 

Diogo Figueiredo P. D. Ferreira

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2 respostas a Um novo poema: «Toada de amargura»

  1. rosa diz:

    Sempre bonito e pleno nas suas palavras, meu querido amigo.
    Que o raiar da aurora seja sempre soalheiro!
    Nestes tempos idos, que a luz brilhe em todos os corações e em todas as mentes! Festas felizes.
    Sempre rosa

    Liked by 1 person

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