Díptico poético I

Por havermos encontrado, ao coligir escritos nossos arquivados, alguns poemas há bastante tempo compostos, aqui deles deixamos nota. Por ora, seguem estes dois.

 

«PRECE»

(soneto)

 

À vida rogo, imploro

Supremas graças, doces venturas,

Qu’esta desdita por que choro

Só causa é de mil amarguras!

 

Oh, devir dos tempos, traz-me o consolo

Dum afecto puro e sincero,

Aparta-me do marasmo em que estiolo

Toda minh’alma, em desgosto vero!

 

A vida quer-se d’alegrias:

É esta verdade estreme,

Que se me apresenta todos os dias!

 

Por isso, à existência requeiro

Toda a divina graça e singeleza

Dum amor forte e verdadeiro!

——————————————————————

 

«INTERPELAÇÃO À VIDA»

 

Vida, onde me trazes,

Que receoso eu estou

De não saber bem o que fazes

Com minh’alma, que só ficou!

 

Atrevido me crês, decerto,

Por tantas dúvidas colocar;

Bem vês: é prova viva do desacerto

Em que por ti hei-de ficar!

 

Olha: até à morte já perguntei

Se o seu rosto me poderia devolver,

Pois que, de tão triste, cheguei

A abjurar o dom de viver!

 

Ah, mas o meu coração ‘inda alimenta

Uma derradeira esperança no porvir,

Como se a vida dissesse: «Aguenta,

Que teu amor ainda está por vir!».

 

Diogo Figueiredo P. D. Ferreira

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