Um ramo de rosas pela alma de alguém que partiu

À memória da minha querida amiga, Snr.ª D. Carolina

 

Tem singulares acasos, a vida! Ora nos oferta a mais fúlgida alegria, capaz de, com sua radiosidade, doirar nossa face até então emurchecida, ora nos assesta, de chofre, um golpe rude, que nos prostra por certo tempo.

A morte de alguém que conhecemos – mais ainda, de alguém que nos é muito querido – é um golpe duro da vida. É uma daquelas punhaladas à falsa-fé, que pode até nos não aniquilar de todo, mas que nos deixa, indubitavelmente, uma ferida no coração, que sangra pungentemente.

Decerto vós, que nos ledes, conheceis aquele tipo de pessoas de quem se poderia dizer que nasceram para servir o próximo. Se bem virmos, a sua vida é uma longa via-sacra de amor a outrem, de trabalho e devoção, esquecendo os padecimentos próprios para ofertar a alguém, que também de amparo carece, a brisa suavíssima da ternura e do carinho. Pessoas cuja razão de existir é servir os outros, dizemos, e que sentem como que um vazio abissal se acaso sucede levarem-lhes estes a palma na grande viagem rumo ao Criador, partindo antes delas. Perante tamanha fatalidade, aparta-se a vida do seu magno objectivo; a razão de existir tolda-se. Porém, ainda tremeluz uma centelhazinha de esperança e de fé, na certeza de que um dia se dará o reencontro ansiado. E esse dia chegou. Para desgosto, porém, daqueles que tanto admiram essoutras pessoas que assim se devotavam ao próximo, e que sentiam o privilégio da sua companhia e a luz fúlgura do seu exemplo de vida.

Assim foi, no fundo, a história exemplar e cristãmente bela da nossa amiga, de cujo falecimento muito recentemente soubemos. Não o esperávamos. Acolhemos a aziaga notícia com tristeza e comiseração, posto que alimentando, no fundo do espírito, um certo pensamento apaziguador: pôde ela, assim, reencontrar-se com aqueles entes queridos que a haviam precedido nessa viagem, e de quem tanta saudade conservava!

Aquando da nossa formatura, fez-nos aquela boa senhora a surpresa de comprar um belo ramo de rosas vermelhas – da cor da nossa Faculdade –, a fim de no-lo ofertar à saída da Sé Nova. A mole humana que se concentrou nesse dia nas imediações daquele local, que acolhia a Bênção das Pastas aos estudantes finalistas, e alguns compromissos previamente firmados fizeram com que irremediavelmente nos desencontrássemos. O ramo de rubras rosas, transportador da amizade e da estima recíprocas, nunca chegou ao destinatário. Ficou, porém, e mais do que tudo, a nobre intenção. E, neste momento de dor, cremos chegada a altura azada de singelamente retribuir: segue um ramo de rosas, idêntico, posto que seja este feito de palavras amigas e saudosas, que vai recobrir ternamente a terra que acolheu a nossa querida amiga. Que ela, onde quer que esteja, saiba que nunca a esqueceremos!

 

Diogo Figueiredo P. D. Ferreira

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