«Terras de São Cosme» – nota final, acompanhando o último capítulo

Com a publicação do 14.º capítulo da nossa novela Terras de São Cosme, pudemos, enfim, dar por concluída a divulgação da mesma no Blogue dos Autores do Sítio do Livro, culminando uma jornada que encetáramos faz agora três meses.

Cumpriu-se o nosso desígnio primeiro, qual fosse o de dar a conhecer, ao estimado público leitor deste espaço de tão profícua e meritória partilha cultural e literária, um enredo paulatinamente trabalhado, fundamentalmente, entre os meses de Janeiro e Agosto de 2011, em uma actividade que consistiu, sobretudo, na ampliação e polimento de uma nossa ideia remontante ao ano de 2007.

Como deixámos vincado na apresentação que do texto em menção fizemos antecedentemente ao encetar da sua divulgação (vd. o nosso artigo «Terras de São Cosme – necessária e prévia explicação», neste mesmo espaço postado, em 4 de Junho do ano corrente), não correspondeu esta versão renovada de uma ideia original mais antiga às nossas mais acrisoladas aspirações: o resultado final da escultura não satisfez, em amplos pontos, o escultor, que ficou com a ideia de a obra carecer, ainda, de largo aperfeiçoamento, de um cinzelamento que lhe limasse as imperfeições remanescentes (pelo menos as mais notórias) e dela fizesse, não talvez uma Vénus, mas, pelo menos, algo que não fosse desagradável à vista. Estamos cientes de que isso não foi, de todo em todo, logrado.

Mesmo assim, não quisemos deixar de conceder uma benevolente alvorada a estas Terras de São Cosme. E, como também previamente o dissemos, não se prendeu tal decisão a escrúpulos estético-formais, mas sim, e mormente, a um sentimento do mais profundo apego e afeição às nossas raízes. O texto aqui exibido foi puríssima ficção, mas com largas e amiudadas refracções (em tantos pontos que nos seria fastidioso e descabido enumerá-los) de realidades que nos são muito gratas. As personagens são ideadas, posto que com características de figuras que realmente existiram. Certos episódios vão beber largas influências a factos verídicos. E note-se: inspirámo-nos, fundamentalmente, em cenas de antanho. Porque é nosso propósito orientador, desde há muito, perpetuar a memória, relembrar o passado, não deixar esmorecer a lembrança de antigamente, para o que nos aproveita imensamente um vasto trabalho de investigação e desbravamento de fontes históricas que igualmente cultivamos.

Se bem virmos, todo o texto se enovela em torno da região da Beira, da Serra da Estrela, com as suas casinhas graníticas, as ribeiras que lá das cumeadas trazem as águas frescas e límpidas, o gado pascendo nos campos verdejantes, as pequeninas aldeias aninhadas no sopé dos montes, as fábricas que, inicialmente aproveitando a força hídrica, foram o garante de muitas das laboriosas e progressivas vilas da região, o pastor que não teme Invernos gélidos e duros e prossegue a sua diária labuta, as casas fidalgas e suas propriedades, a trabalhosa vida dos campos, e, acima de tudo, a alma nobre, generosa e honrada do beirão serrano, a sua palavra certa e firme, o seu carácter destemido e forte. De tudo quanto se diz é o texto publicado tributário.

Também estamos cientes de que a realidade hodierna não é exactamente assim; o cenário envolvente dos episódios que descrevemos não mais existe. Mas já o frisámos: pretendemos lembrar o passado, fazer revivescer algumas das suas marcas, para que adequadamente compreendamos o presente e perspectivemos, de guisa prudente e avisada, o futuro.

Não temos, porém, veleidades: sabemos que só muito imperfeitamente prosseguimos tal objectivo. Ainda assim, foi mais forte o sentimento que nos impeliu à publicação de algo que evoca terras e gentes que nos são muitíssimo familiares e queridas.

Pareceu-nos cabida, no termo da publicação de Terras de São Cosme, esta renovada explicação. E, porque com ela se encerra a divulgação de tal texto, que se destinou principalmente ao público, é a este que cabe a última palavra quanto à sua apreciação global, e é também a ele que dirigimos as últimas palavras desta nota (sendo certo que last, but not least!), agradecendo, como compete, a receptividade e a crítica sábia que do mesmo terá merecido, o que, só por si, nos conforta e faz pensar que já terá valido a pena, não obstante as imperfeições e incompletudes a que aludimos, escrever e publicitar o nosso modesto escrito.

 

Diogo Figueiredo P. D. Ferreira

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