«Terras de São Cosme» – necessária e prévia explicação

É já antigo e fundamente arreigado o nosso gosto pela escrita, actividade a que dedicamos largo tempo sempre que outros afazeres concedem periódica folga. Actividade prazenteira, portanto, mas igualmente hercúlea e, indubitavelmente, temerária. Note-se que as linhas traçadas no papel (haja este material dimensão, ou, em uma forma mais coeva mas igualmente garantidora da transmissibilidade da mensagem cognoscenda, «virtual» – termo que, ressalva-se desde já, nos não satisfaz, por manifesta impropriedade, mas a que o uso corrente conferiu foros de perpetuidade no léxico terminológico do quotidiano – figurino) são penhor imarcescível do que se afirmou, não possuindo a evanescência da palavra falada, a qual, tal como vem, assim vai, lesta como uma rajada de vento!

De todo esse frenesi literário, resultaram, como mais directos frutos, a nossa antologia de contos Retratos Dispersos, recolectora de vária produção temporalmente situada entre os anos de 2006 e 2008 (havendo a ressalvar a série dos primeiros nove contos que enformam a obra, todos eles escritos no Verão de 2008 e compartilhadores de características que lhes são conaturais em termos temáticos e estilísticos, o que deles faz incindível bloco), e a nossa novela O Morgado Republicano (a que dedicámos dois meses do Verão de 2010, refundindo e burilando um antigo texto nosso de 2006). Para além disso, fomos fazendo incursões (fugazes, como avisado guerreiro que sabe bem a medida das suas forças e além das mesmas não busca ir…) pela poesia, algumas das quais dadas à publicação neste «Blogue dos Autores», digno forum de partilha de ideias e de convivência cultural e literária. Também neste blogue publicámos o nosso conto «A esmola», bem como alguns textos opinativos.

Pensamos, agora, ser altura de exibir ao público leitor deste prezado espaço um nosso texto findo no Verão passado, também nova versão de uma inicial produção mais antiga (concretamente, a remodelação de um escrito remontante a 2007). Não obstante o nosso empenho no aperfeiçoamento de algo que, anteriormente, nos não satisfizera nem um pouco, julgamos que o novo produto desse furor scribendi impenitente a que, volta e meia, pagamos tributo não merece as honras de obra impressa. Seria valorizar demais algo de tão pouca monta.

No entanto, também não usamos de tão acendrada crueza como, prima facie, se poderia a qualquer pessoa antolhar. Não nos decidimos a publicar, de guisa impressa, esta pequena história, mas nem por isso desejamos submetê-la a um cruel olvido. Sopesadas todas as hipóteses, julgamos que a mesma acolherá simpática guarida nesta sede, até porque, segundo cremos, não é o nosso texto, ora apresentado, totalmente desmerecedor de figurar junto de outros que já aqui fomos publicando.

Em todo o caso, é com humildade que, a partir de amanhã, começaremos, com periodicidade semanal, a postar neste blogue as diversas partes que compõem este nosso enredo, a que apusemos o designativo Terras de São Cosme. Fazemos, por fim, notar que o texto não foi sujeito a qualquer revisão mais escrupulosa: acha-se num estado quási puro, praticamente como fluiu dos primeiros impulsos da nossa pena, com uma ou outra rectificação feita no imediato. Talvez que o mesmo muito haja a melhorar. Porém, o que aqui se exibirá será ainda mais autêntico e espontâneo, porque obra do momento, sem mais sensatas ponderações ulteriores que lhe acrisolassem a literariedade. Será, igualmente, essa uma forma mais sincera de homenagear os nossos antepassados (como consta da respectiva dedicatória, que transcreveremos aquando do início da narração), porque, aliás, muitos pontos do texto vão beber largas influências a longínquas histórias de antanho. Mais uma tentativa, pois, de perpetuar a memória, que desejamos se não esqueça. Havê-la-emos logrado? O benévolo leitor que se dispuser a acompanhar-nos o dirá…

 

Diogo Figueiredo P. D. Ferreira

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