Escrevendo sobre temas diversos…

TRANSPORTES PÚBLICOS
De que lado está a razão? Do lado do Governo ou do lado dos trabalhadores? E existem por esse mundo fora transportes públicos lucrativos? Estas as três perguntas que se impõem. Começando pela última, que se desiludam os governantes deste País. Os transportes, enquanto serviço público, foram feitos para servir sem o objectivo último do lucro. E, passando para a segunda pergunta, julgo que a obrigação de quem trabalha é, simplesmente, trabalhar o melhor que puder e souber; quem trabalha cumpre, quem emprega paga de acordo com o estipulado, desde que não disponha de matéria faltosa para romper com o acordado. Se os trabalhadores, representados pelas suas organizações de classe, os sindicatos ou as comissões de trabalhadores, não são chamados a participar, ou a dar opinião, nas áreas de estratégia da Empresa, e se cumprem escrupulosamente com todas as suas obrigações profissionais, não podem e nem devem assumir qualquer responsabilidade sobre os desaires financeiros da mesma. Por esta lógica, (aparentemente simplista), os desaires financeiros parecem-me da inteira responsabilidade da, ou das, administrações. E no caso das administrações das empresas públicas, por último, os desaires assim como as vitórias, recaem sobre os governos que nomearam os respectivos gestores. Não me parece aceitável que se penalize a mão – de – obra com cortes salariais, (ainda que em consequência de uma emergência nacional), sem que, antes, se responsabilizem os administradores pelo incumprimento e pelo desleixo notoriamente visível das suas acções de gestão. Portugal ou é a quinta de uns quantos, ou é uma ditadura, ou é uma democracia. Somos chamados a votar e dizem-nos que somos uma democracia. Nas democracias é hábito existir uma justiça célere e capaz de intervir em todas as áreas, mesmo, (se for disso o caso), na área empresarial do Estado, as ditas empresas públicas. Então que se cumpra a democracia, e que a mesma seja chamada a intervir antes dos acordos externos, neste caso, os acordados ou impostos pela denominada Troika. Façam referendos. Sejam, no mínimo, civilizados. Respeitem-nos enquanto pessoas de bem, enquanto Povo, não nos atirem poeira para os olhos. Deixem-nos assumir as responsabilidades do caminho que queremos enquanto Nação livre e independente! Nós não soubemos votar, ou foram vocês, os senhores dos partidos da área da governação que sistematicamente nos enganaram?
FACTOS QUE VÃO OCORRENDO AO LONGO DA VIDA
Três a quatro anos depois do 25 de Abril de 74, eu e dois colegas de trabalho, (um engenheiro de hidráulica e um engenheiro civil) fomos destacados para a Direcção de Hidráulica de Beja, sediada à época no Governo Civil da referida cidade, com a missão de localizar um projecto de abastecimento de Água e de Esgotos, (que andaria perdido pelos arquivos), actualiza-lo, e coloca-lo a concurso público. Conduziram-nos a uma ampla sala, repleta de prateleiras, com alguns atados de pastas colocados no chão, por falta de espaço. O engenheiro director, licenciado em Hidráulica, em poucos minutos deu-nos uma panorâmica da situação. O senhor não se deslocava às obras havia anos, porque, não dispondo de carro de serviço distribuído, utilizava a sua viatura pessoal, mas, como esperava ia para três anos que lhe pagassem os quilómetros, tinha suspendido a fiscalização. Como pessoal de serviço ao seu dispor, contava com o apoio de cinco dactilógrafas, um contínuo, e três guarda-rios; os guarda-rios não “guardavam rios” por avaria no jipe e falta de verba para o respectivo arranjo. Um destes técnicos vendia a particulares um projecto para construção de uma moradia, (obtido não se sabe como), e no Alentejo surgia assim uma nova localidade. Sobre o talude da estrada nacional, e ao longo da mesma, já existia mais de uma dezena de moradias iguais. Como o engenheiro não se deslocava às obras, não desenvolvia trabalho suficiente para ocupar cinco dactilógrafas, nem mesmo ocupar apenas uma que fosse, as cinco senhoras ocupavam o tempo a fazer “umas rendinhas;” sempre vinham mais uns “trocos” para ajuda das despesas de casa. Este o panorama da nossa Administração Pública à época. Passemos adiante. Correram os anos. Desliguei-me do Estado. Um dia, faz hoje uns doze anos, surge-me uma situação inesperada. Tomo conhecimento que tenho uma multa para pagar no Algarve e dizem-me que o caso, se o não resolver a tempo, vai seguir para tribunal; alguém da família se desloca ao sul, dizem-lhe que, na posse de uma guia obtida, salvo erro, nas finanças, pode regressar a Lisboa com o assunto resolvido. Nas finanças, o funcionário, um jovem que se entretinha a jogar um jogo no computador, diz que, sem marcação, não pode passar a guia! Bom, com a intervenção de outra funcionária o caso foi resolvido…
Como duas desgraças nunca chegam sós, parece que se combinam e surgem nunca menos de três; vai para horas, andando este Estado à cata de dinheiro, presumivelmente fácil, vem à baila no telejornal um cidadão que se desloca conduzindo uma scooter. Como existe, (por culpa do Estado), um jipe de cor verde, com uma matrícula igual à da sua scooter, e como o referido jipe foi apanhado em falta e fotografado pelo radar, o dito cidadão, como é óbvio no país da Alice das Maravilhas, vai (e muito bem), pagar a multa. Quem manda o homem ter a mania das grandezas! Tem uma modesta scooter mas quer pagar multas de jipe! Nesta vida temos gente para tudo…
Nesta, (chamemos-lhe), “passagem de olhos,” por uns breves trinta e sete anos da nossa história, temos uma lição a tirar; como um perpétuo Estado medíocre salta por cima das convulsões da História, e, impávido e sereno, segue em frente pela via da incompetência de uma “vidinha” fácil, minúscula e rastejante, como determinados insectos e as cobras, e, feito de uma verborreia imoral, lança para cima dos ombros do Povo as consequências das suas falhas e incompetências.
No primeiro caso, a obrigação de uma governação credível e moralmente saudável, passava pela responsabilização do senhor director geral e não só; tinha de abranger os senhores subsecretário de Estado, o secretário, e tocar, (pelo menos tocar) o senhor ministro. Situações deste teor são gravíssimas porque envolvem dinheiros públicos expressivos. No segundo caso o jovem funcionário e a respectiva chefia imediata, no mínimo, tinham de ser admoestados. Talvez até despedidos. É função pública e lida com a vida dos cidadãos que sustentam o Estado. E no terceiro e último caso, bom, não sei o que dizer, julgo que todo o Edifício do Estado enquanto pessoa de Bem está em causa. Se as noticias que chegam a público são credíveis, (e no meu entender, é bom que o sejam), julgo que se torna evidente que o País deve fechar para balanço e reabrir com nova gerência…
Este texto tem um conteúdo e não só. Podem coabitar com o conteúdo erros de pontuação ou outros, mesmo gramaticais. Gostava que as pessoas falassem sobre ambos. No meu entender, se o não fizerem, estão a contribuir para que, daqui por mais uns anos de História, Portugal continue parado no Tempo. Se o fizerem, talvez que o Portugal de amanhã seja melhor. Eu, pela minha parte, faço e digo o que a minha consciência de Cidadão me impõe!

Sobre jsola02

quando me disseram que tinha de escrever uma apresentação, logo falar sobre mim, a coisa ficou feia. Falar sobre mim para dizer o quê? Que gosto de escrever, (dá-me paz, fico mais gente), que escrever é como respirar, comer ou dormir, é sinal que estou vivo e desperto? Mas a quem pode interessar saber coisas sobre um ilustre desconhecido? Qual é o interesse de conhecer uma vida igual a tantas outras, de um individuo, filho de uma família paupérrima, que nasceu para escrever, que aos catorze anos procurou um editor, que depois, muito mais tarde, publicou contos nos jornais diários da capital, entrevistas e pequenos artigos, que passou por todo o tipo de trabalho, como operário, como chefe de departamento técnico, e que, reformado, para continuar útil e activo, aos setenta anos recomeçou a escrever como se exercesse uma nova profissão. Parece-me que é pouco relevante. Mas, como escrever é exercer uma profissão tão útil como qualquer outra, desde que seja exercida com a honestidade de se dizer aquilo que se pensa, (penso que não há trabalhos superiores ou trabalhos inferiores, todos contribuem para o progresso e o bem estar do mundo), vou aceitar o desafio de me expor. Ficarei feliz se conseguir contribuir para que as pessoas pensem mais; ficarei feliz se me disserem o que pensam do que escrevo… José Solá
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